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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Herança Ecológica Franciscana

Este é um excerto traduzido-adaptado de um texto chamado Perspectiva y Propuesta Ecológica Franciscana en la Actualidad, o qual foi publicado no blog Franciscanismo ofm, disponível no endereço eletrônico http://franciscanoofm.blogspot.com/2010/08/perspectiva-y-propuesta-ecologica.html. Seu autor é um religioso franciscano estudante de filosofia, Victor Conce, OFM, natural de Lima, Peru.

Sem pretensões de aprofundamento filosófico, o autor aqui traça em linhas gerais como os principais expoentes da escola franciscana trouxeram para a reflexão filosófica um dos aspectos que mais sobressaem na espiritualidade que herdaram de São Francisco de Assis: o apreço pela natureza.

a) A natureza em São Boaventura:

Na linha de São Francisco, Boaventura vê e interpreta o mundo como um conjunto de relações harmônicas que formam o que se chama cosmos, isto é, ordem.

A postura boaventuriana, em relação com a natureza e com os seres que nela se encontram, exige um comportamento de respeito, de comunhão e de confraternização para com todos, porque se apóia e se fundamenta em uma filosofia do amor, a qual conduz o conhecimento real das coisas a um saber conviver com elas.

Este mestre franciscano apresenta a natureza como uma casa ou morada, em cujo âmbito o ser humano se identifica à figura de um caseiro.

b) Universo e cristocentrismo em Duns Scotus

O Doutor Sutil acentua e sustém abertamente que Cristo é o arquétipo e o paradigma da criação, em que Deus pode espelhar-se adequadamente e receber dela a glorificação e a honra que Lhe são merecidas.

O seu cristocentrismo oferece uma visão mística do universo. O mundo se apresenta como diáfano sacramento da divindade, um grande altar em que se celebra a liturgia do Deus criador. A liturgia do universo se vincula à liturgia eucarística, visto que em ambas se dá a presença de Cristo, ainda que de modo diverso.

c) O cosmos em Rogério Bacon

Na cosmovisão que nos oferece este cientista franciscano, a natureza não é somente um dom divino, mas também o grande complemento para o ser humano. Este, com efeito, não é nada sem aquela, sendo, portanto, seu dever e necessidade o seu cuidado e proteção. Entre ambos se dá uma forte irmanação, a qual há de desembocar em atitude de respeito, zelo e defesa por ela. Os pressupostos científicos do sistema baconiano nos oferecem os fundamentos culturais e éticos para alcançar uma ecologia planetária, pois tudo no universo, embora esteja harmonia, exige do homem ativa colaboração de respeito e promoção do maravilhoso mundo natural, que, além de possibilitá-lo viver, lhe oferece o convívio de uma imensa confraternização universal.

d) Mundo natural em Guilherme de Ockham

Na cosmologia ockhamista, se integram elementos teológicos, filosóficos e físicos. Este franciscano sublinha a contingência do mundo para salvaguardar a liberdade e a onipotência divinas. Ockham, fundador dos direitos subjetivos, é também o propulsor dos direitos dos animais e, inclusive, dos demais seres sensíveis e insensíveis. Este original pensador franciscano nos brinda com a perspectiva aberta para uma ecologia vivida concretamente a partir do reconhecimento das propriedades naturais de cada ser e de cada coisa. Por trás de seu pensamento filosófico, se percebe a sensibilidade fraterna de Francisco de Assis para com toda a criação.

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