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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Entendendo a Liturgia: Advento

O significado do Advento I

O Advento é um dos tempos do Ano Litúrgico e pertence ao ciclo do Natal. A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como pode-se deduzir da própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.

O tempo do Advento formou-se progressivamente a partir do século IV e já era celebrado na Gália e na Espanha. Em Roma, onde surgiu a festa do Natal, passou a ser celebrado somente a partir do século VI, quando a Igreja Romana vislumbrou na festa do Natal o início do mistério pascal e era natural que se preparasse para ela como se preparava para a Páscoa. Nesse período, o tempo do Advento consistia em seis semanas que antecediam a grande festa do Natal. Foi somente com São Gregório Magno (590-604) que esse tempo foi reduzido para quatro domingos, tal como hoje celebramos.

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, silenciosamente expressa a esperança e convida à alegre vigilância. A coroa teve sua origem no século XIX, na Alemanha, nas regiões evangélicas, situadas ao norte do país. Nós, católicos, adotamos o costume da coroa do Advento no início do século XX. Na confecção da coroa eram usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno. Os ramos verdes são sinais da vida que teimosamente resiste; são sinais da esperança. Em algumas comunidades, os fiéis envolvem a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Até a figura geométrica da coroa, o círculo, tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem começo e fim, representa a perfeição, a harmonia, a eternidade.

Na coroa, também são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade. Quanto às cores das quatro velas, quase em todas as partes do mundo é usada a cor vermelha. No Brasil, até pouco tempo atrás, costumava-se usar velas nas cores roxa ou lilás, e uma vela cor de rosa referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o Domingo de Gaudete (Domingo da Alegria), cuja cor litúrgica é rosa. Porém, atualmente, tem-se propagado o costume de velas coloridas, cada uma de uma cor, visto que nosso país é marcado pelas culturas indígena e afro, onde o colorido lembra festa, dança e alegria.




Pe. Agnaldo Rogério dos Santos

Reitor dos Seminários Filosófico e Teológico

da Diocese de Piracicaba













O Advento e seu significado II

A Coroa de Advento tem a sua origem em uma tradição pagã européia. No inverno, acendiam-se algumas velas que representavam o "fogo do deus sol" com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltassem. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partiam de seus próprios costumes para ensinar-lhes a fé. Assim, a coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos: 

A forma circular: O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de "elo", de união entre Deus e as pessoas, como uma grande "Aliança". 

Os ramos verdes: Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus em sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na sua segunda e definitiva vinda. 

As quatro velas: As quatro velas da coroa simbolizam as quatro semanas do Advento. No início, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho. Nos recorda a experiência de escuridão do pecado. A medida em que se vai aproximando o Natal, vamos ao passo das semanas do Advento, acendendo uma a uma as velas representando assim a chegada, no meio de nós, do Senhor Jesus, luz do mundo, que dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada. 

Nos domingos do Advento, é costume que as famílias e as comunidades católicas se reúnam em torno à coroa para rezar. A liturgia da coroa, como é conhecida esta oração, se realiza de um modo muito simples. Todos se colocam em volta da coroa. Acende-se a vela que corresponde a semana em questão, acompanhando, se possível, com um canto. Lê-se uma passagem da Bíblia, própria do tempo do Advento e algumas meditações. Recomenda-se também levar a coroa para ser abençoada pelo sacerdote. 

Fonte: Redação Portal Católico


O Advento e seu significado III

Na realidade a Coroa do Advento só passou a fazer parte da nossa Igreja Católica no ano de 1925 em uma Igreja da Colônia, em 1930 chegou a Munique e a partir daí para o mundo. Tudo leva a crer que no Brasil foi introduzida por missionários que vieram da Alemanha.

A origem não é bem definida alguns autores difundem a idéia de que a Coroa de Advento tem a sua origem em uma tradição pagã européia. No inverno, se acendiam algumas velas que representavam ao “fogo do deus sol” com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Outra versão é que teria sido criada por um pastor da Igreja Luterana na cidade de Hamburgo, e que inicialmente fazia parte da tradição evangélica.

Deixando de lado a origem vamos mergulhar na simbologia e no que ela representa para nós católicos.

Tem a forma arredondada representando que Deus é eterno, que o amor por sua criação não tem fim.

Decorada com ramas verdes que representa a esperança e a vida. Deus deseja dar-nos o perdão e a glória da vida eterna.

Quatro velas representando as semanas do Advento. Inicialmente nossa Coroa está sem luz recordando a escuridão do pecado. A cada semana acendemos uma vela meditando na vinda gloriosa do Salvador que é a verdadeira luz da reconciliação.

As quatro velas indicam as quatro fases da história da Salvação preparando a vinda do Salvador, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas. O ato de acender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a vitória da luz sobre as trevas.

Originariamente, a velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento.

O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus.

O rosa como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, usada no 3º domingo do Advento.

Existem diferentes tradições sobre os significados das velas. Uma bastante difundida:


  • a primeira vela é do profeta;
  • a segunda vela é de Belém;
  • a terceira vela é dos pastores;
  • a quarta vela é dos anjos.

Outra tradição vê nas quatro velas as grandes fases da História da Salvação até a chegada de Cristo. Assim:

  • A primeira é a vela do perdão concedido a Adão e Eva, que de mortais se tornarão seres viventes em Deus;
  • A segunda é a vela da fé dos patriarcas que crêem na promessa da Terra Prometida;
  • A terceira é a vela da alegria de Davi pela sua descendência;
  • A quarta é a vela do ensinamento dos profetas que anunciam a justiça e a paz.

Vale salientar que não existe citação nos livros litúrgicos sobre a Coroa do Advento assim sendo, não há uma uniformidade quanto ao uso. Só a título de ilustração vejamos as cores:

Na Suécia as velas têm cor vermelha.
Na Áustria quatro velas de cores diferentes: roxa, vermelha, rosa e branca.

Fonte: Padre Manoel em: http://padremanoel.blogspot.com


Ao colocar estas três matérias sobre o significado do Advento, tem  a intenção de provocar uma pesquisa mais detalhada e a tentativa de abordar o tema da forma mais completa possível num mesmo lugar!


A CELEBRAÇÃO DO ADVENTO
Como fez para outros tempos do ano litúrgico, o Vaticano II enriqueceu notavelmente de leituras bíblicas o período do Advento. Os três ciclos para os quatro domingos, as leituras cotidianas da missa durante essas quatro semanas, apresentam um tesouro considerável, digno de uma atenta catequese.

O novo calendário romano, no n. 39, cuidou de exprimir o significado do Advento: "O tempo do Advento tem uma dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se recorda a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e simultaneamente é o tempo no qual, através desta recordação, o espírito é conduzido à espera da segunda vinda de Cristo no final dos tempos".

Esse significado envolve o lecionário inteiro: a escolha de cada perícope evangélica não só confere a cada celebração seu colorido litúrgico particular, mas determina, pelo menos para os grandes tempos do ano, a escolha das outras leituras ductilmente harmonizadas com ela.

Mais sugestiva que um longo comentário sobre a teologia do Advento é a tabela seguinte:




DOMINGO
Ano
PROFETA
APÓSTOLO
EVANGELHO
I
Esperança vigilante do Senhor
A As nações se reúnem
Is 2, 1-5
O dia está próximo
Rm 13, 11-14
Vigiai
Mt 24, 37-44
B Oxalá Deus descesse
Is 63, 16-17.19;
O dia do Senhor
1 Cor 1, 3-9
Vigiai
Mc 13, 33-37
C O germe de justiça
Jr 33, 14-16
O dia quando vier o Senhor
1 Ts 3, 12 - 4,2
Vigiai
Lc 21, 25-28.34-36
II
Advertência de João Batista: Preparai os caminhos do Senhor
A Sobre ele o Espírito do Senhor - Is 11, 1-10 As promessas realizadas em Jesus - Rm 15, 4-9 Preparai o caminho do Senhor - Mt 3, 1-12
B Encher o vale
Is 40, 15.9-11
Céus novos e terra nova
2Pd 3, 8-14
Preparai o caminho do Senhor - Mc 1, 1-8
C As colinas eternas serão abaixadas - Br 5, 1-9 O dia quando vier o Senhor
Fl 1,4-6.8-11
Preparai o caminho do Senhor - Lc 3, 1-6
III
Presença dos tempos messiânicos. Alegria.
A As curas, sinais dos tempos - Is 35, 1-6.8.10 Paciência até a vinda do Senhor - Tg 5, 7-10 Curas e Sinais
Mt 11, 2-11
B Boa nova aos pobres
Is 61, 1-2.10-11
Alegria pela vinda do Senhor
1Ts 5, 16-24
Cristo no meio de nós
Jo 1, 6-7.19-28
C Alegria! Deus está em ti
Sf 3, 14-18
Alegria! O Senhor está aqui
Fl 4, 4-7
Vem um mais poderoso
Lc 3, 10-18
IV
Encarnação do Verbo
A Uma virgem dará à luz
Is 7, 10-14
Nascido de Davi segundo a carne - Rm 1, 1-7 Anúncio a José
Mt 1, 18-24
B A tua casa para sempre diante de mim
2Sm 7, 1-5,8-12.14.16
O mistério revelado a todos
Rm 16, 25-27
Anúncio a Maria
Lc 1, 26-38
C Aquela que deve dar à luz
Mq 5, 1-4
Cristo ao chegar diz: Eis-me
Hb 10, 5-10
Anúncio a Isabel
Lc 1, 39-48

Como se pode notar, os domingos exprimem uma continua progressão partindo do segundo advento, ligado ao último domingo do ano, embora sempre sublinhem o nascimento de Jesus, para chegar à encarnação do Verbo.
O número das perícopes escriturísticas é impressionante e confere à celebração do Advento uma riqueza teológica incomparável. Observe-se a discreta harmonização entre as três leituras do mesmo domingo. Somos pois convidados a ler e a estudar os textos na sua recíproca ligação no âmbito da celebração de um mesmo domingo, mas também na sua ligação com os textos dos domingos seguintes. Basta olhar simplesmente a tabela das leituras na tradição romana, para o leitor tomar consciência de que as leituras do Lecionário do Vaticano II se inspiraram amplamente na escolha dos lecionários precedentes. Mas o lecionário atual propõe também duas leituras próprias para cada dia das quatro semanas do Advento: é mais uma riqueza, que infelizmente nos é impossível comentar aqui. Vamos limitar-nos a oferecer uma brevíssima síntese apenas das leituras dominicais.
A tonalidade de fundo que percorre o 1º domingo é a da espera vigilante do Senhor. Ele anuncia o seu retorno. Devemos estar alertas. As nações se reunirão. O dia está próximo (ciclo A). De fato, esperamos que o Senhor Jesus se revele. Quando vier, tudo será restaurado, o universo e cada um de nós (ciclo B). E preciso vigiar e estar pronto para comparecer de pé diante do Filho do homem. Um germe de justiça se instaurará no fim dos tempos, pelo que devemos estar firmes e irrepreensíveis (ciclo
Se o reino dos céus está próximo, é mister preparar os caminhos. É o tema específico do 2º domingo do Advento. O Espírito está sobre o Senhor e nele as promessas são confirmadas (ciclo A). Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo, uma terra nova (ciclo B). Devemos saber ver a salvação de Deus, cobrir-nos como manto da justiça e revestir-nos do esplendor da glória do Senhor (ciclo C).
O 3º domingo apresenta os tempos messiânicos. Deus vem salvar-nos, a sua vinda está próxima, as curas são o sinal da sua presença (ciclo A). No meio de nós está alguém que não conhecemos. Exultamos pela presença de quem está marcado pelo Espírito (ciclo B). Um mais poderoso que João Batista deve chegar. Já está aqui. E esse o tempo da fraternidade e da justiça (ciclo C).
O 4º domingo do Advento anuncia a vinda iminente do Messias. José foi pré-advertido. Uma Virgem conceberá o Filho de Deus, Jesus Cristo, da estirpe de Davi (ciclo A). A noticia é comunicada a Maria. O trono de Davi será firme para sempre. O mistério calado por Deus durante séculos é agora revelado (ciclo B). Também Isabel agora sabe. De Judá sairá aquele que vai reger Israel. Ele vem para cumprir a vontade de Deus (ciclo C).

Extraído do livro
O ANO LITÚRGICO História, Teologia e Celebração
Anámnesis 5, vários autores, ©Paulinas 1991
Fonte: http://www.mundocatolico.org.br/advento.htm

Em todos os sábados à tarde publicaremos o ritual para o acendimento da vela da Coroa do Advento correspondente ao Domingo celebrado, segue abaixo, o rito para a bênção da Coroa e do acendimento da 1ª vela da Coroa.

Rito para a Coroa do Advento

A bênção da Coroa do Advento, bem como o ato de acender a vela de cada domingo, acontece após o ato penitencial da Santa Missa.

I Domingo

Comentarista:
Vemos hoje, no Presbitério, a Coroa do Advento. Trata-se de um simples arranjo de ornamentos verdes e velas que nos recorda o significado deste sagrado tempo que agora iniciamos.
A Coroa do Advento teve sua origem entre os pagãos do norte da Europa, que preparavam uma roda de carroça, enfeitada com ramos e luzes, para agradar a um deus pagão, o deus do sol, que se escondia durante as longas noites do inverno do norte europeu.
Os cristãos, também no inverno, no mês de dezembro, celebravam o Natal. Assim, adotaram o mesmo costume dos pagãos, mudando-Ihe, porém, completamente, o significado. Para eles, a Coroa do Advento lembra a preparação para o Natal, festa da luz e da vida, quando veio ao nosso mundo o Cristo, Sol que não tem ocaso. Colocavam, então, na Coroa, quatro velas, representando os quatro domingos do Advento. A cada domingo uma vela a mais ia sendo acesa, recordando a luz de Cristo que se aproxima com o seu santo nascimento.
Esta luz vem chegando aos poucos: primeiro, na promessa do Salvador, depois, no anúncio dos profetas, na escolha da Virgem Maria e, finalmente, no nascimento do Cristo Senhor, Deus-Conosco, Emanuel.
A Coroa circular, sem início e sem fim recorda a eternidade do Filho de Deus Pai que vai nascer no tempo. O verde simboliza a vida e a esperança. As velas recordam a luz do Senhor, cada vez mais próximo, até fazer-se Sol nascente que nos vem visitar no Natal.
Agora o sacerdote irá abençoar nossa Coroa e, em seguida, acender a primeira vela. É a luz de Cristo que já começa a despontar; que ela brilhe em nosso coração!
Celebrante:
V. O nosso auxílio está no nome do Senhor.
R
. Que fez o céu e a terra.
Senhor nosso Deus, sois o doador de toda bênção
e a fonte de todo dom perfeito.
Abençoai + esta Coroa em honra do Advento do Cristo, vosso Filho,
e dai-nos esperar solícitos a sua vinda.
Que ele, ao chegar, nos encontre vigilantes na oração
e proclamando o seu louvor.
Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor.
* O sacerdote asperge com água benta a Coroa e acende a primeira vela. Enquanto acende, pode dizer:
A vós, meu Deus, elevo a minha alma.
Confio em vós, que eu não seja envergonhado!
Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera .
(SI 24,1.3)


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