Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição dos Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A História dos Frades Menores Conventuais

Os Franciscanos Conventuais são o tronco original da "Ordem dos Menores", que teve sua aprovação no dia 16 de abril de 1209 com o Papa Inocêncio III,  da qual brotaram as diferentes reformas ao longo da História Franciscana. Já a 5 de abril de 1250, o papa Inocêncio IV quis tutelar o eficaz trabalho pastoral dos Menores, declarando "conventuais" suas igrejas, quer dizer, concedendo-lhes a mesma prerrogativa que as colegiadas (paróquias diocesanas). Os frades, no entanto, só receberam tal denominação a partir da segunda metade do século XIV, para distingui-los dos que se retiravam em eremitérios em busca de uma melhor "observância" da regra.
Os religiosos que seguiam vivendo nos eremitérios, como nos tempos heróicos de São Francisco, eram muito poucos. A grande maioria, quer dizer os frades "da comunidade" estavam nas cidades, dedicados à pregação, aos sacramentos e aos ensinamentos. Empreitaram a construção e ampliação de grandes conventos, como os de Assis, Pádua, Veneza, Florença, Bolonha, Ferrara, Piacenza, Parma, Arezzo, Sena, Pisa, Palermo, Viterbo, Nápoles, Vicenza, Friburgo, Cracóvia, Colônia, Würzburg, Viena, Praga, Barcelona, Valencia, Sevilha, Paris, Oxford, etc. A Ordem fundada por São Francisco estava formada, em grande parte, por irmãos leigos, mas, um século depois de sua morte era uma Ordem douta e clerical, com dezenas de milhares de religiosos que serviam à Igreja em múltiplas atividades: pastorais, missionárias, diplomáticas, ecumênicas, universitárias, chegando muitos deles a ocupar cátedras episcopais, cardinalícias e inclusive papais.

MITIGAÇÕES E TENÇÕES
A sustentação de grandes conventos não permitia a observância da pobreza absoluta, mas os papas, interessados em manter os benefícios pastorais que sustentavam a Igreja, mitigaram com privilégios e declarações a observância da Regra. A isto se opuseram os frades Zelantes, Espirituais ou Fraticellitavam a Igreja, mitigaram com privilégios e declarações a observância da Regra. A isto se opuseram os frades Zelantes, Espirituais ou Fraticelli, partidários de uma 'pobreza' mais radical, sem interpretações pontifícias, até o extremo de acusar a Ordem de relaxamento no Concílio de Viena (1311-1312) e de negar ao Papa o direito de interpretar a Regra. Foi por esse motivo que o papa João XXII (1317-1318) acabou condenando os fraticelli como hereges.
Na mesma linha dos Fraticelli, mas com atitudes e comportamentos mais ortodoxos, em 1368 nasceram os Frades Menores Observantes ou da Regular Observância, por obra do beato Paoluccio Trinci. Estes tiveram mais êxito e foram crescendo e distinguindo-se cada vez mais do resto da Ordem, as vezes entre fortes tensões, até sua total independência (1517). Os Conventuais, no entanto, ante a pressão da Observância, trataram de eliminar os evidentes abusos, mas defenderam e continuaram aquela forma de vida que os permitia desenvolver dignamente as atividades tradicionais que a complexidade da Ordem e a Igreja requeriam. Convém recordar que, exceto Nicolau IV (Jerônimo Masci, 1288-1292) que era Minorita, foram Conventuais os papas Alexandre V (Pitros Philargis, 1409-1410), Sixto IV (Francisco della Rovere, 1471-1484), Sixto V (Félix Peretti de Montalto, 1585-1590) e Clemente XIV (Lorenzo Ganganelli, 1769-1774).
O irrefreável crescimento e separação dos frades da Observância provocou não poucas tensões entre ambas correntes da Ordem, já que estes, não conformando-se com os eremitérios, empreenderam ocupar também os grandes conventos urbanos dos Conventuais e a absorver todas aquelas reformas que preferiam seguir submissas ao Ministro Geral Conventual, como sinal de unidade e de comunhão com a Ordem. Na Espanha, os frades Conventuais ou Claustrais foram suprimidos, a instâncias dos Observantes, pelos Reis Católicos no início do século XVI, e por Felipe II em 1568.

SEPARAÇÃO E RENOVAÇÃO
Cinqüenta anos antes, a 29 de maio de 1517, o papa Leão X, com a bula "Ite vos", havia dividido definitivamente a Ordem em duas, obrigando as reformas menores a unir-se aos Observantes ou aos Conventuais. Foi um duro golpe para os Conventuais, que se viram obrigados a ceder a primazia e o título de Frades Menores aos Observantes. Não obstante, no século XVII e parte do XVIII, os Conventuais, purificados pelas provas de séculos anteriores, demonstraram uma grande vitalidade, como demonstra o testemunho de alguns santos e beatos daquele período. 
Por desgraça, o flanco crescimento da Ordem foi freado bruscamente pela Revolução francesa, das perseguições napoleônicas e dos governos maçônicos do século XIX e da supressão comunista das ordens religiosas em vários países do leste europeu. Tudo isso pôs em perigo a existência da Ordem mesma. Muitos religiosos se viram obrigados a secularizar-se e grande parte dos conventos foram transformados em quartéis, hospitais, escolas, asilos, cárceres, oficinas, etc. Os quase 30.000 membros com que contava a Ordem Conventual no século XV foram reduzidos, em 1883, a somente 1481. Entretanto, desde então não tem deixado de crescer e estender-se, sobretudo, ultimamente, nos continentes americano e asiático e no leste europeu, até alcançar o número atual de 4.500 religiosos. É o ramo menos numeroso da Ordem, mas está presente em todo o mundo.


PRESENÇA E ATIVIDADE HOJE NO MUNDO
A Ordem Conventual está atualmente comprometida com a Igreja nas mais variadas tarefas de apostolado, que são expressão de sua própria razão de ser. Centenas de Igrejas e 19 basílicas -as mais antigas da Ordem- são o campo de ação de uma intensa atividade litúrgica e pastoral. A cúria geral OFM Conv e os organismos diretivos têm sua sede na Basílica romana dos Santos Doze Apóstolos, confiada à Ordem por Pio II em 1463, depois que a sede anterior, Santa Maria de Araceli, foi entregue por Eugênio IV aos Observantes (1445). O coração da Ordem é, por outro lado, a Basílica de São Francisco em Assis, com o Sacro Convento anexo, declarado "Cabeça e Mãe" da Ordem pelo fundador da igreja Gregório IX em 1230, nas vésperas da transladação do corpo de São Francisco à mesma.
Os Conventuais têm também a seu cargo a Basílica de Santo Antônio em Pádua, meta de peregrinos de todo o mundo e centro de intensa atividade litúrgica, pastoral, cultural, editorial e caritativa; e a Basílica da Santa Cruz de Florença, verdadeira jóia da arte italiana, Santa Maria Gloriosa "dei Frari" de Veneza; e as igrejas de São Lourenço de Nápoles e de São Francisco de Bolonha e de Ravena (com a tumba de Dante Alighieri).
Trabalham, ainda, como penitenciários pontifícios na Basílica de São Pedro do Vaticano e regem a Pontifícia Faculdade de Teologia São Boaventura no Colégio "Seraphicum" de Roma, com sua filial de Pádua, o Instituto de Teologia "Santo Antônio Doutor" o Colégio São Máximo. A ele temos que acrescentar o instituto Teológico de Assis, agregado à Faculdade de Sagrada Teologia da Pontifícia Universidade Lateranense. Nas últimas décadas a Ordem Conventual tem redescoberto sua vocação missionária, abrindo novas Províncias e Custódias em todo o mundo.
O hábito conventual é o tradicional: túnica e capuz cinza com o cordão. Na época napoleônica trocou-se pelo preto, mas hoje se veste de cinza em vários países da Europa e no resto do mundo.

O HÁBITO FRANCISCANO
Por ser o primeiro que chama a atenção de quem se aproxima dos franciscanos, o tema do hábito suscita curiosidade e surpresa ao mesmo tempo, pois sua forma e cor variam segundo as distintas famílias franciscanas. Deve-se esclarecer, em primeiro lugar, que nenhuma das atuais Ordens ou congregações franciscanas, nem por forma nem por cor, veste o hábito de São Francisco, que era em forma de cruz e de lã cinza. O pano, com efeito, não era tingido, mas tecido com lã branca e negra natural misturadas que lhe dava o tom cinzento.
Há quem afirme que o Santo de Assis e seus companheiros no início não se vestiam de modo diferente dos pobres e camponeses de seu tempo, mas isso não é o que se deduz de seus escritos e biografias. É certo que o modo de vestir dos Frades Menores (túnica larga, capuz, cordão e calças) era mais pobre que o de qualquer religioso daquele tempo, mas não por isso deixava de ser um distintivo religioso que os diferenciava dos seculares.
As duas Regras de São Francisco e os biógrafos do Santo falam da humildade e vileza do hábito dos Frades Menores, sem oferecer detalhes quanto à cor ou à forma da túnica e do capuz, pois o mais importante para Francisco e para seus companheiros era a modéstia e a pobreza. A segunda Regra impõe aos frades não julgar nem desprezar "aos que vestem roupas nobres e coloridas", pelo que deduzimos que a cor devia ser natural. Graças aos biógrafos e às túnicas que se conservam de São Francisco sabemos que estas tinham forma de cruz ou de um TAU, como expressão de que o Frade Menor deve crucificar em si mesmo as paixões deste mundo.
Quanto à cor, só no Espelho de Perfeição lemos que o Santo preferia a cotovia entre todas as aves, porque "tem um capuz como os religiosos e é um pássaro humilde... Sua roupagem, ou seja, as plumas, têm a cor da terra, e ela dá exemplo para os religiosos de que não é necessário ter roupa nobre ou colorida, mas modesta no preço e na cor, como a terra, que é o elemento mais vulgar". A terra, porém, como todos sabemos, tem uma infinidade de tonalidades. Tomás de Celano, no Tratado dos Milagres, fala de um "pano cinzento" como o dos cistercienses da Terra Santa, que Jacoba de Settesoli trouxe de Roma a Francisco moribundo. A única referência à cor do hábito do Santo a encontramos na Crônica de Rogério de Wendover (morto em 1236) e de Mateus de Paris, onde se diz que "os frades que se chamam menores... caminhavam descalços, com cinturão de corda, túnicas cinzas, largas até os calcanhares e remendadas, com um capuz grosseiro e áspero".
Em um documento do ano 1233, o rei da Inglaterra ordenava ao visconde de Londres a aquisição de certa quantidade de panos, a metade de "blaunchet" ou branco para os Dominicanos, e a metade de "griseng" ou cinza para os Menores. Em 1259, o visconde de Cerwich comprava também certos tecidos de "russet" para as túnicas dos frades Menores de Reading. O "russet" era o "rusetus pannus" de cor avermelhada, resultado da mistura natural de lã branca e parda. As Constituições de Narbona de 1260 estabeleciam que "as túnicas exteriores não fossem nem totalmente negras, nem totalmente brancas", o qual dava uma ampla margem de tonalidades de cinzas. Nos afrescos de Giotto da Basílica superior de Assis podemos ver, em uma mesma cena, hábitos acinzentados e róseos, porém sempre em tons claros. As Constituições Farinerias del 1354 só impõem que os superiores não permitam o uso de tecidos com "fios de diferentes cores, nem demasiado próximos ao branco ou ao negro".
A variedade de tonalidades de hábito primitivo se devia, de um lado, à diversidade natural da cor da lã, de outro, ao fato de que os tecidos para as túnicas não eram confeccionados exclusivamente para os frades, mas estes os recebiam como esmola dos benfeitores. Eram eles, portanto, os que escolhiam a cor e a qualidade do tecido, embora sempre sob o controle do superior, segundo as Decretais de João XXII (1317) e Bento XII (1336).
Maior rigidez na cor se observa a partir da divisão da Ordem, ocorrida em 1517, sobretudo pelo valor simbólico do cinza, que recorda as cinzas e o pó de que somos feitos, e a penitência. O cinza foi a cor oficial para todos os franciscanos até meados do século XVIII. Tanto é assim que, devido às dificuldades para conseguir tal tecido em quantidade suficiente, houve um momento em que as Constituições dos Observantes e dos Capuchinhos ordenaram que cada província fabricasse seus próprios tecidos para conseguir a máxima uniformidade. O capítulo geral de 1694 da Regular Observância, por exemplo, ordenava "fabriquem-se tecidos em tudo semelhantes na cor e qualidade, na trama e na textura, tecidos com lã branca e negra misturada em tal proporção que resulte, a juízo dos especialistas, um pano cinzento como o vemos nos hábitos e capas de N. P. S. Francisco, S. Bernardino de Sena e S. João de Capistrano, os quais, embora se conservem em províncias e países diferentes, são de uma mesma cor cinza, mais ou menos claro".
Nos Frades Menores Conventuais se nota certa tendência ao negro já na segunda metade do século XVIII, embora suas Constituições Urbanas, na edição de 1803 impunham o hábito da cor das cinzas. Esta prescrição desapareceu na edição de 1823, em parte porque com a supressão napoleônica, havendo-se extinguido as corporações religiosas, seus membros se viram obrigados a assumir o hábito talar negro do clero secular. Restaurada a Ordem, os frades preferiram continuar com a cor negra, ainda que hoje o cinza se está recuperando novamente, de maneira que assim se vestem quase todos os conventuais da Ásia, África e América, assim como os da Austrália e algumas províncias européias.
Os Frades Menores Observantes passaram da cor cinza a marrom há pouco mais de um século, na segunda metade do século XIX. Iniciou-se na França e se impôs para toda a Ordem no capítulo de Assis de 1895, quando Leão XIII reunificou em uma só as diferentes famílias reformadas: observantes, alcantarinos, recoletos e reformados ("A cor artificial das vestes exteriores se pareça à cor da lã natural negra com tendência ao vermelho, cor que em italiano se chama marrone, e em francês marron").
Os Frades Menores Capuchinhos seguiram de algum modo a evolução dos Observantes, embora, para evitar qualquer diferença local, em 1912 se estabeleceu que a cor do hábito tinha que ser castanha, a mesma que a dos observantes, contudo algo mais amarelado ("a cor deve ser castanha, em italiano castagno, em francês marron, em inglês chestnut, em alemão kastanienbraun, em espanhol castaño").
O mais parecido na forma ao de São Francisco é o hábito dos Capuchinhos, por seu capuz alongado e costurado ao pescoço da túnica. O hábito dos Observantes se distingue por ser mais ajustado e pelo capuz solto que cai sobre os ombros em forma de caparão curto na frente e nos lados, e alongado atrás, até a cintura. O hábito dos Conventuais é parecido ao dos Observantes, porém o capuz é menor e o caparão mais baixo, até quase tocar os cotovelos (na regra diz: "caparão até o cíngulo"). O hábito dos Terciários Regulares ou frades da TOR era até poucos anos atrás da mesma forma e cor que o dos Conventuais, mas agora voltou à cor tradicional cinza, com caparão baixo e pontiagudo por trás e pela frente.
Mais recentemente surgiram algumas congregações franciscanas com hábitos diferentes, mas muito semelhantes aos já citados, com túnica e capuz cinza ou marrom. Há, no entanto, também tendendo ao celeste, como o dos Franciscanos da Imaculada, e inclusive de cor verde. Não obstante, apesar de as diferenças de forma e cor, o distintivo comum de todos os franciscanos e franciscanas, que os faz diferentes de qualquer outra Ordem ou Congregação da Igreja, é o uso exclusivo do cordão de lã branca, que Francisco escolheu para cingir a cintura, para cumprir fielmente o mandato de Cristo, que enviou a seus apóstolos pelo mundo "sem nada pelo caminho", nem sequer o cinto (cf. Mt 10).
Quanto ao calçado, São Francisco caminhou sempre descalço, de acordo com o mandato de Jesus aos apóstolos: "não leveis sandálias..." Só nos dois últimos anos de sua vida, para ocultar as vendas ensangüentadas pelos estigmas dos pés, teve que levar sapatos de pele ou de pano, como se pode ver nas relíquias de Assis. A Regra só diz que os frades podem usar calçados em caso de necessidade. As sandálias, entretanto, se impuseram rapidamente, como se pode ver nas pinturas de Giotto, onde todos os frades, exceto Francisco, carregam o mesmo modelo. Mais tarde, os reformados que viviam nas ermidas começaram a usar certas sandálias com solas altas de madeira chamadas tamancos ou "zoccoli", daí que na Itália, os Observantes fossem também conhecidos por muito tempo como frades "zoccolanti" (zocolantes).






http://www.matrizubatuba.com.br/ofmconv/ofmc.htm

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