Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Padrono da OFS


A vida e a modernidade de Luís IX, o último rei santo

Jacques Le Goff, um dos maiores medievalistas europeus, nos diz que tendo vontade de escrever uma biografia, escolheu um personagem que desse possibilidade de, realmente, ir além da imagem mítica ou das suposições históricas. Assim, o eleito foi São Luís IX, um personagem fascinante, pois falar sobre ele é evocar todos os povos cristãos da época.
Luís IX foi ao mesmo tempo rei e santo. Houve outros reis santos antes dele, na Alta Idade Média, mas São Luís é um rei santo de um novo tipo, pois é sua conduta pessoal, em primeiro lugar, que o faz ser santo. Aliás, ele será o último desse gênero. O historiador William Jordan descreveu-o atormentado entre seu dever real e sua devoção...
Le Goff enfatiza a coerência entre sua aspiração à santidade e sua conduta na política, o que não oculta de maneira alguma dificuldades e contradições. Por exemplo, São Luís tendo um cerimonial real às refeições para respeitar, mas, muito ligado à tradição monástica, pratica a abstinência muito jovem, não bebe vinho puro, convida pobres, etc. Isso é verdade também para seu comportamento político.
Luís IX foi, inicialmente, um rei criança – aos 12 anos. Ora, a criança na Idade Média, século XIII, não era levada em conta: um rei menor era um enorme inconveniente. Citava-se o Eclesiástico: “Infeliz a cidade cujo príncipe é uma criança”! O rei criança é incapaz de se defender nas questões terrestres e de ser um intermediário aceitável diante de Deus...
Entre o reinado de seu avô Felipe Augusto e o de seu neto Felipe, o Belo, São Luís representa a passagem da monarquia feudal à monarquia moderna, que não se baseia mais nas relações pessoais do rei com seus vassalos, mas nas do rei, enquanto chefe do Estado/ Reinado com seus "súditos". Ele consolida a monarquia: duplica os magistrados que, na época, eram “investigadores”, designados para apurar os abusos da administração real, fazendo reinar a justiça e a paz.
São Luís tornou o rei o responsável pela Justiça. Os súditos podiam apelar para a justiça do rei. Aí está o fundamento dos futuros tribunais de apelação. A partir de 1254, essa seção da corte, que administra a Justiça em seu nome, passou a ser denominada Parlamento.
Atenção para não cair no anacronismo! Façamos um esforço de compreensão da época. Luís IX continuou a ação de seu pai Luís VIII, contra os cátaros. Sua responsabilidade não é nula, mas é preciso redimensioná-la. Em primeiro lugar, um rei piedoso da época, não podia amar os hereges, que colocavam em risco tanto a ortodoxia da fé quanto a coesão do reinado. Em segundo lugar, na tradição cristã do século XIII, o rei era o braço secular da Igreja: se esta ordenava ao soberano executar as sentenças de seus tribunais, ele devia obedecer.
Luís IX, profundamente cristão, não gostava dos judeus, que se recusaram a reconhecer o Cristo. Ele condena o Talmude, porque este, do seu ponto de vista, diz horrores sobre Jesus e apresenta a Virgem como uma prostituta! É verdade que São Luís ficou desorientado com esse problema. Segundo disse: “Os cristãos têm um chefe, trata-se do prelado. Os judeus não têm ninguém; devo, então, ser o prelado dos judeus: puni-los quando se comportam mal, mas também protegê-los quando são injustamente atacados...”
Ele foi um incentivador das últimas Cruzadas! Tentou mudar o espírito da Cruzada, misturando objetivos militares e interesse de conversão religiosa.
Francisco de Assis não o precedeu, em vão, na Terra Santa! São Luís, partindo com todos os preconceitos antimulçumanos da época, ao perceber que aquelas pessoas eram religiosas, foi sacudido pela piedade delas, ficando atônito com a biblioteca que o emir carregava consigo em sua tenda, mesmo na guerra. Enfim, o indivíduo São Luís também foi procurar na Terra Santa, mais ou menos, o martírio.
O papa Bonifácio VIII o canonizou em 1297, 27 anos após sua morte. Os milagres ligados à sua pessoa contaram menos que as virtudes do indivíduo. Ele foi um modelo ideal de rei cristão. São Luís teve importância como homem. Seu caráter, sua humildade deram motivos para isso.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

São Maximiliano Maria Kolbe – Mártir da Caridade – Patrono da Imprensa

São Maximiliano
Raymond Kolbe, filho de Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, nasceu aos 8 de janeiro de 1894, em Zdunska Wola, perto de Lódz, na Polônia. Por volta dos nove anos, ajoelhado diante do oratório, apareceu-lhe a Virgem Maria, segurando uma coroa branca – representando a castidade – e uma vermelha – simbolizando o martírio – e perguntou-lhe qual preferia; ele, angustiado pela difícil escolha, respondeu: “As duas”.

Aos 13 anos, entrou no seminário dos Frades Menores Conventuais, onde recebeu o nome de Maximiliano Maria. Enviado a Roma para obter doutorado em filosofia e teologia, em 1917, movido por um incondicional amor a Maria, fundou o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada”. No ano seguinte, 1918, foi designado para lecionar no Seminário Franciscano, em Cracóvia. Mas o amor por Maria  e seu apostolado Mariano, começou a evangelizar através da imprensa escrita e através de rádio também. Em 1922, sem recursos financeiros, fundou uma revista mensal intitulada “Cavaleiro da Imaculada”, chegando a incrível marca de 1.000.000 de exemplares. Seguiu-se com outras publicações como revistas para crianças ou para os fiéis latino-americanos. Verdadeiramente o carisma presente em São Maximiliano era o da imprensa.
Em 1931 aceitou a tarefa proposta pelo Santo Padre de ajudar na evangelização ao redor do mundo e foi para o Japão. Em Nagasaki fundou a revista “Cavaleiro da Imaculada” que se tornou famoso no meio católico. O sonho de São Maximiliano era de espalhar pelo mundo  a devoção a Imaculada. No entanto teve de retornar  a Polônia no inicio da Segunda Guerra Mundial.São Maximiliano
Em setembro de 1939, Frei Maximiliano e cerca de 40 outros frades foram levados para os campos de concentração. Na celebração da Imaculada Conceição do mesmo ano foram libertos. Mas os nazistas tinham uma preferência maior por judeus e padres.
A Gestapo permitiu uma impressão final do “Cavaleiro da Imaculada”, em dezembro de 1940, para poder incriminá-lo. Em Maio de 1941, foi levado ao campo de extermínio de Auschwitz. Nestes campos, milhares de pessoas foram exterminados.
Quando o chefe militar viu Frei Maximiliano vestido de hábito religioso, ficou furioso. Agarrou o crucifixo do frade e, puxando-o, gritou: “E tu acreditas nisso?” “Creio, sim!” Uma tremenda bofetada seguiu a resposta de Frei Kolbe. Três vezes repetiu-se a pergunta. Três vezes Maximiliano confessou sua fé. Três vezes levou bofetada. Frei Maximiliano demonstrava profunda devoção a Imaculada e em contra ponto aos horrores dos nazistas ele perdoava e aconselhava os prisioneiros e confiar em Maria Santíssima e orar pelos assassinos. Os judeus tinham o direito de viver duas semanas e os padres um mês. Frei Maximiliano era conhecido pela caridade mesmo nos momentos mais difíceis. Dava seu alimento a quem precisa e era o último a ser atendido pela enfermaria, mesmo tendo tuberculose. Dizia : “O ódio não é a força criativa; a força criativa é o amor”.
Um prisioneiro escapou com sucesso da mesma seção onde Frei Maximiliano estava detido. Em represália, o comandante ordenou a morte por inanição de 10 prisioneiros, escolhidos aleatoriamente. O sargento Franciszek Gajowniczek, que fora escolhido para morrer, gritou lamentando que nunca mais veria a esposa e os filhos. Então, saiu da fila o prisioneiro nº 16670, pedindo ao comandante o favor de poder substituir aquele pai de família. O comandante perguntou, aos berros, quem era aquele “louco”, e, ao ouvir ser um padre católico, aceitou o pedido.São Maximiliano
Os 10 prisioneiros, despidos, foram empurrados numa pequena, úmida e totalmente escura cela dos subterrâneos, para morrer de fome. Durante 10 dias Frei Maximiliano conduziu os outros prisioneiros com cânticos e orações, e os consolou um a um na hora da morte. Após esses dias, como ainda estava vivo, recebeu uma injeção letal. Era o dia 14 de agosto de 1941.
O corpo de Maximiliano Kolbe foi cremado e suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo seu fim, escrevera: “Quero ser reduzido a pó pela Imaculada e espalhado pelo vento do mundo”.
Ao final da Guerra, começou um movimento pela beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe, que ocorreu em 17 de outubro de 1971, pelo Papa Paulo VI. Em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu aos horrores do campo de concentração, São Maximiliano foi canonizado pelo Papa João Paulo II, como mártir da caridade. Por seu intenso apostolado, é considerado o patrono da imprensa.
“Toda a vida de Maximiliano está marcada pelo encanto de duas coroas: a coroa branca da inocência e a coroa vermelha do martírio. O branco e o vermelho, cores da bandeira polonesa, símbolos da Imaculada e do Espírito Santo, da pureza e do amor, são as cores desta vida exemplar, a bandeira de uma humanidade mais autêntica e mais fraterna”, assim comenta Luciano Marini no “L’Osservatore Romano”, no dia 10 de outubro de 1982.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Cristo de Santa Clara

“Olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo,
e espelhe nele, sem cessar, o seu rosto,

para enfeitar-se toda, interior e exteriormente,

vestida e cingida de variedade,

ornada também de flores caríssimas do sumo Rei.

Pois nesse espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza,

A santa humildade e a inefável caridade,

como, nele inteiro, você vai contemplar com a graça de Deus.”

(4CtIn 15-18)

O Cristo de Clara

         Clara ao olhar para o espelho, procura contemplar a identidade, e buscar o seu amado, Jesus Cristo. Por isso foi pobre por opção. Entregou sua vida como penitente, porque teve um imenso amor por todas as pessoas, por todas as criaturas. Não fugiu da cruz, abraçou-a, como uma virgem despojada, vazia, pobre, com todo seu interior reservado para Deus.
         Soube viver uma amizade terna, profunda, despojada, com um carinho inaudito. Seu caminho sempre foi realizar a vontade do Pai. Nunca se impôs, nem jamais pensou que fosse mais do que sabia que era. Não quebrou o caniço que já estava partido. Não soprou a vela que já estava quase apagado. Pelo contrário. Trouxe saúde a muitas pessoas como quem se encontrou. Foi sempre alegre, e muito gentil.
         Sempre se encantou com tudo que descobria de bonito ao seu redor. Dava graças ao Pai por ter feito coisas e pessoas tão bonitas. Louvava-o por ter revelado seus melhores segredos aos pequeninos. Lavava os pés dos outros. Cuidava de seu conforto e da sua saúde. Quando era preciso, sempre foi firme como uma rocha. Mas não feriu ninguém, não magoou. Tinha palavras de vida. Uniu-se ao Povo de Deus em esponsais tenros e eternos...
         De quem estou falando? De Jesus Cristo. De Clara de Assis. Do Cristo que nasceu em Clara, filha de Favarone, amiga de Francisco, irmã dos pobres, esposa de Jesus, expressão do Espírito Santo, filha de Deus Pai.
Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap.
         “O Cristo de Clara.”
Centro Franciscano de Espiritualidade
         Piracicaba - 1994
Pesquisa feita por Frei Marcelo dos Santos Silva, OFMConv.

Oração para Aviadores
(Manuel Bandeira)
Santa Clara, clareai
Estes ares.
Dai-nos ventos regulares,
de feição.
Estes mares, estes ares
Clareai.


Santa Clara, dai-nos sol.
Se baixar a cerração,
Alumiai
Meus olhos na cerração.
Estes montes e horizontes
Clareai.


Santa Clara, no mau tempo
Sustentai
Nossas asas.
A salvo de árvores, casas,
E penedos, nossas asas
Governai.


Santa Clara, clareai.
Afastai
Todo risco.
Por amor de S. Francisco,
Vosso mestre, nosso pai,
Santa Clara, todo risco
Dissipai.


Santa Clara, clareai.

 



Bênção de Santa Clara de Assis
O Senhor os abençoe e guarde.
Mostre-lhes o seu rosto e tenha misericórdia de vocês.
Amém!
Volte a sua face para vocês e lhes dê a paz.
Amém!
O Senhor esteja sempre com vocês e vocês também estejam sempre com Ele.
Amém!
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém!
Santa Clara de Assis

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Santa Maria dos Anjos: A Porciúncula


Diversos textos, das assim chamadas "fontes franciscanas", falam do sentido e do valor que este lugar passou a ter na vida de São Francisco, e posteriormente considerado "cabeça e mãe dos Frades Menores".

"Vendo o bem-aventurado Francisco que o Senhor queria aumentar o número de seus frades, disse-lhes um dia: 'Caríssimos irmãos e meus filhinhos, vejo que o Senhor quer fazer crescer a nossa família. Parece-me que seria prudente e próprio de religiosos irmos pedir ao Senhor Bispo ou aos cônegos de S. Rufino ou ao abade do mosteiro de São Bento uma igreja pequena e pobre onde os frades posssam recitar as horas e, ao lado, uma casa pequena e pobre, de barro e de vimes, onde os frades possam descansar e fazer o que lhes for necessário. O lugar que agora habitamos já não é conveniente e a casa é exígua demais para nos abrigar, visto que aprouve ao Senhor multiplicar-nos. ... Foi então apresentar ao bispo o seu pedido, que lhe respondeu assim: "Irmão, não tenho igreja para vos dar". Dirigiu-se em seguida aos cônegos de S. Rufino. Estes deram-lhe a mesma resposta. Foi dali ao mosteiro de São Bento do Monte Subásio. Falou ao abade como fizera ao bispo e aos cônegos, relatando-lhe a resposta que deles obtivera. O abade compadecido, depois de se aconselhar com os seus monges, resolveu com eles, como foi da vontade de Deus, entregar ao bem-aventurado Francisco e seus frades a igreja de Santa Maria da Porciúncula, a mais pobre que eles possuiam. Para o bem-aventurado Francisco era tudo quanto de há muito desejava. Não cabia em si de contente, com o benefício recebido: porque a igreja era dedicada à Mãe de Cristo; porque era muito pobre; e também pelo nome que era conhecida. Era com efeito chamada de Porciúncula, presságio seguro de quje viria a ser cabeça e mãe dos pobres frades menores. O nome de Porciúncula tinha sido dado a esta igreja por ter sido construída numa porção acanhada de terreno que de há muito assim era chamada" (Legenda Perusina, cap. 8).

"Depois que o santo de Deus trocou de hábito e acabou de reparar a Igreja de São Damião, mudou-se para outro lugar próximo da cidade de Assis, ... chamado Porciúncula, onde havia uma antiga igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus, mas estava abandonada e nesse tempo não era cuidada por ninguém. Quando o santo de Deus a viu tão arruinada, entristeceu-se porque tinha grande devoção para com a Mãe de toda bondade, e passou a morar ali habitualmente. No tempo em que a reformou, estava no terceiro ano de sua conversão"
( T.Celano, Vida I, cap. 9,21).

"Embora o Seráfico Pai soubesse que o reino dos céus é estabelecido em todos os lugares da terra... sabia, no entanto, por experiência, que Santa Maria dos Anjos havia sido contemplada com bençãos especiais... Por isso recomendava sempre os frades: 'Meus filhos, tende cuidado de jamais abandonar este lugar. Se vos expulsarem por uma porta, entrai pela outra. Este lugar é sagrado, morada de Cristo e da Virgem Maria, sua bendita Mãe. Aqui, quando éramos apenas um pequeno número, o bom Deus nos multiplicou. Aqui ele iluminou a alma destes pequeninos com a luz de sua sabedoria, abrasou a nossa alma com o fogo de seu amor" (Espelho da Perfeição, cap. 83).

"Neste tempo nasceu a Ordem dos Frades Menores, multidão de homens que, então, começou a seguir o exemplo do Seráfico Pai. Clara, esposa de Cristo, recebeu nesta igreja a tonsura, despojando-se das pompas do mundo para seguir a Cristo. Aqui, para Cristo, a Santa Virgem Maria gerou os frades e as Pobres Damas, e, por meio deles, deu Cristo ao mundo. Aqui, estrada larga do mundo antigo tornou-se estreita e a coragem dos que foram chamados tornou-se maior. Aqui foi composta a Regra, a santa pobreza foi reabilitada, a vaidade humilhada e a cruz alçada às alturas. Se algumas vezes o Seráfico Pai sentiu-se conturbado e aflito, neste lugar reanimou-se, o seu espírito recuperou a paz interior. Aqui desaparece toda a dúvida. Por fim, aqui se concede aos homens tudo que o pai pediu por eles" (Espelho da Perfeição, cap. 84).

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