Rio de Janeiro -

terça-feira, 28 de junho de 2022

A logo do Jubileu de 2025

 

Apresentado o logotipo oficial do próximo Jubileu, que terá lugar em 2025. Foram recebidas um total de 294 inscrições de 213 cidades e 48 países diferentes, com idades entre os 6 e os 83 anos. A obra é de Giacomo Travisani

Por: Vatican News

Foi apresentado na tarde desta terça-feira o logotipo oficial do próximo Jubileu, que terá lugar em 2025. Para a escolha, foi lançado um concurso, aberto a todos. Segundo o presidente do Dicastério para a Evangelização, Arcebispo Rino Fisichella, foram recebidas um total de 294 inscrições de 213 cidades e 48 países diferentes, com idades entre os 6 e os 83 anos.

"De fato, muitos desenhos feitos à mão foram recebidos de crianças de todo o mundo, e foi realmente comovente ver estes desenhos fruto da imaginação e da simples fé."

Durante a escolha, as obras foram identificadas apenas por um número, de modo que o autor permanecesse anônimo. Em 11 de junho, o Arcebispo Fisichella submeteu os três projetos finais ao Papa Francisco, que selecionou o que mais o impressionava.  

"Depois de analisar os projetos várias vezes e expressar a sua preferência, foi escolhido o desenho de Giacomo Travisani", disse o Arcebispo Fisichella. Giacomo Travisani, presente na coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou a sua ideia: ele imaginou todas as pessoas avançando juntas, "graças ao vento da Esperança que é a Cruz de Cristo e o próprio Cristo".



O logo mostra quatro figuras estilizadas para indicar toda a humanidade dos quatro cantos da terra. Cada uma delas abraçando-se mutuamente, indicando a solidariedade e a fraternidade que deve unir os povos. A primeira figura está agarrada à Cruz. As ondas subjacentes são agitadas para indicar que a peregrinação da vida nem sempre se faz em águas calmas.

A parte inferior da Cruz é alongada, transformando-se numa âncora, que domina o movimento das ondas. As âncoras com frequência são usadas como metáforas de esperança. A imagem mostra como a viagem do peregrino não é individual, mas sim comunitária, com os sinais de um dinamismo crescente que se move cada vez mais em direção à Cruz." A Cruz não é estática", sugeriu Fisichella, "mas dinâmica, inclinando-se para encontrar a humanidade como se não a deixasse em paz, mas sim oferecendo a certeza da sua presença e a tranquilidade da esperança."

Um Jubileu é "ordinário" se celebrado após o período habitual de 25 anos, e "extraordinário" quando é proclamado por algum evento notável. O último Jubileu ordinário teve lugar no ano 2000 durante o pontificado do Papa S. João Paulo II. Em 2015, o Papa Francisco proclamou um Ano Santo Extraordinário de Misericórdia.

terça-feira, 14 de junho de 2022

A profissão mais feliz

Ser feliz no trabalho é um desejo universal, mas existem profissões que trazem maior felicidade às pessoas, tanto pela rotina produtiva quanto pela sensação de bem-estar que gera aos profissionais. Uma lista divulgada pela revista Forbes, com base em pesquisa realizada pela Universidade de Chicago, desenvolvida por psicólogos do trabalho e especialistas em Recursos Humanos, mostrou que a ajuda ao próximo é uma grande fonte de felicidade. Acompanhe o resultado da pesquisa:



Profissões com maior índice de Profissões com maior índice de felicidade

1) Clero

Como membros da Igreja Católica e de outras congregações cristãs, esses sacerdotes são felizes em seus trabalhos porque atendem a população guiados pela fé e pela paixão pelo serviço. Nesse sentido, podem ajudar pessoas em necessidade, sendo verdadeiros guias para os indivíduos durante momentos de dificuldade.

2) Bombeiros

Comumente contratados por meio de concursos públicos, esses profissionais podem não receber os maiores salários e estar constantemente em contato com o perigo, mas ainda assim são felizes em sua profissão.

Além disso, costumam ser apaixonados pela adrenalina em suas rotinas de trabalho, e pela oportunidade de serem vistos como heróis pelas pessoas.


3) Fisioterapeutas

Ainda que tenham que passar por faculdades e especializações, esses profissionais encontram grande satisfação em ver seus pacientes superando dificuldades e se desenvolvendo nos processos de recuperação. Portanto, mesmo que sejam acionados após acidentes graves, ficam felizes durante a reabilitação de seus pacientes, em especial nos casos mais graves


4) Escritor

Como um trabalho pautado principalmente na imaginação, esses profissionais ficam felizes por poder criar universos, personagens e histórias que irão agradar ao público, em especial quando conquistam uma legião de fãs. Além disso, não precisam trabalhar para chefes ou atender demandas.


5) Professores de educação especial

Acima de tudo, esses profissionais ficam felizes por trabalhar com indivíduos que possuem necessidades especiais e pessoas com deficiência, pois a satisfação de acompanhar a evolução cognitiva desses pacientes é uma grande compensação. Porém, é necessário ser especializado para atuar nesse serviço.


6) Professores

Apesar dos salários baixos e da profissão desvalorizada, os professores são apaixonados pela oportunidade de participar da formação humana e intelectual das pessoas. Neste sentido, acompanhar crianças em seu desenvolvimento até a vida adulta, podendo ser referências para eles, é considerado uma honra.


7) Artistas plásticos

Também desvalorizada e muitas vezes vista como um hobby pela sociedade, os artistas plásticos trabalham com imaginação e criatividade, assim como os escritores. Desse modo, são motivados pela possibilidade de criar algo novo, transformando pensamentos e ideias em algo tátil.


8) Psicólogos

Sobretudo, a felicidade nessa profissão está relacionada à possibilidade de ajudar as pessoas em seus desafios, mas também a satisfação em entender mais sobre o funcionamento psicológico do organismo. Portanto, as diferentes abordagens oferecem perspectivas diversas sobre o indivíduo, ampliando o conhecimento do especialista.


9) Corretor de serviços financeiros

Ainda que pareça principalmente um trabalho de escritório, os corretores encontram felicidade na estabilidade, rotina e bons salários. Sendo assim, não está diretamente relacionado ao contato com outras pessoas, mas sim pelas características próprias da profissão.


10) Engenheiro operacional

Além dos bons pagamentos e benefícios, os engenheiros operacionais parecem encontrar satisfação em pilotar grandes máquinas como escavadeiras e empilhadeiras. Ademais, a felicidade parte do contato direto com esses equipamentos, na manutenção e atualização dos maquinários.

Fonte: https://arquidiocesebh.org.br/noticias/clero-a-profissao-mais-feliz-aponta-pesquisa/

sábado, 11 de junho de 2022

Trindade Misericordiosa

 A liturgia nos convida, neste domingo, celebrar e viver o Mistério da Trindade. Aqui não se trata somente de uma verdade para crer, mas estamos diante do fundamento e do núcleo de nossa experiência cristã. Em vez do “Mistério da SS. Trindade” (talvez algo distante e estranho para nós), o importante é a experiência história do encontro com a atividade vivificadora “da Fonte” de vida (Pai), “da Rota” do Amor (Filho) e “da Respiração” da esperança, que pacifica, alenta e reconcilia (Espírito Santo). 



Para facilitar a experiência da presença e ação da Trindade em nossas vidas, nossa proposta é contemplar a escultura da Irmã Caritas Müller (veja foto acima) que está numa casa de oração na Alemanha; toda obra de arte fala mais que muitas palavras. Todo artista capta detalhes do Mistério e nos oferece ricas possibilidades de acesso que a razão nem sempre consegue explicar. 

Quem é o Pai-Criador, quem é o Filho Redentor, quem é o Espírito Santificador? 

As definições apresentadas pelo “dogma da Trindade” não nos ajudam muito. No entanto, a identidade da Trindade se revela na sua ação salvífica. O Pai, no Filho e pelo Espírito Santo se preocupam com cada um dos seus filhos e filhas. Sua intenção é idêntica; atitudes e gestos o demonstram: uma mesma atenção, uma mesma paixão os move para o ser humano; um mesmo amor para com cada criatura humana brota das entranhas da Santíssima Trindade.

O interessante é que, ao observarmos a escultura, vemos que o ser humano está no centro. Trata-se da pessoa na sua total fragilidade e miséria, caída e sem forças...Essa pessoa está circuncidada pela misericórdia da Trindade. Em Deus o ser humano está no centro, para que o ser humano coloque Deus no centro da sua vida.

Mais uma vez, Deus escolhe para isso o caminho do Amor que se entrega, da inquebrantável misericórdia reconstrutora, da transbordante doação que dignifica cada ser humano. 

Percebemos na escultura quatro círculos. O círculo expressa o caráter único de cada pessoa, tanto divina como humana. As Três Pessoas divinas e a pessoa humana encontram-se dentro de círculos. O círculo da pessoa humana está no centro da Trindade, e os círculos das Três Pessoas da Trindade encontram-se abertos em direção a este círculo central.  Pela sua Encarnação, Morte e Ressurreição, o Filho é o mediador que introduz o ser humano no coração da Trindade. 

É importante notar que os círculos não são fechados, pois as pessoas podem entrar no círculo das outras na medida em que seu amor é atuante e expansivo. O círculo central recolhe uma pessoa humana, que pode ser qualquer um de nós. Não dá para saber se é homem ou mulher, pobre ou rica, jovem ou velha e assim por diante. Parece sim se tratar de uma pessoa ferida nos caminhos da vida. 

O círculo, como símbolo de realização, significa que o ser humano, em sua fragilidade e em sua miséria, é chamado à plenitude de vida e de realização. Logo nos vem a lembrança do Bom Samaritano. As três pessoas divinas estão debruçadas, com reverência, sobre a pessoa machucada. É patente que o Deus uno e trino comunga no mesmo sentimento de amor e compaixão. Tudo converge para esta revelação: o ser humano desfigurado e acolhido pela iniciativa amorosa da Trindade. O ser humano desfigurado é transfigurado pelo Amor Trinitário. 

A Trindade Misericordiosa envolve a criatura humana por todos os lados. Toda a atenção de Deus está centrada sobre o ser humano.

O Pai (à direita), está carinhosamente inclinado, com um dos joelhos em terra, esforçando-se com cuidado para levantar a pessoa ferida. O sentimento do Pai é de ternura e cuidado, seu rosto se aproxima e beija o rosto inerte da pessoa ferida. Ele revela seu amor misericordioso no calor do abraço, que acolhe e regenera o ser humano. Morre o mal que foi feito e celebra-se a festa da vida nova. 

Assim fez o pai que, no regresso do filho pródigo, o abraça, o cobre de beijos e o cumula de seu perdão.

Levantar, rodear de ternura, abraçar, acolhê-lo em seu seio de ternura, tal é o gesto de Deus-Pai para com o ser humano. Gesto de libertação que o coloca de pé, devolvendo sua dignidade. 

Jesus, o Filho de Deus (à esquerda), ajoelha e se inclina profundamente. Ele se rebaixa à mesma condição do ser humano. Ele segura e sustenta com suas mãos os pés da pessoa ferida, lava-os, cura as feridas com carinho e beija seus pés. Beijo, gesto de intimidade e de ternura, que convida a pessoa a deixar-se amar. O amor liberta, põe o homem e a mulher de pé. 

Jesus nos revela o maior serviço do amor, ao mesmo tempo que realiza o mais humilde serviço. “Eu vim para servir e não para ser servido”. O Filho revela o Deus Amor-serviço, que se põe aos pés da humanidade decaída para restaurá-la, e revela o caminho do serviço como caminha para a vida. Em Jesus Deus se abaixa para estar mais perto da miséria do ser humano. Não o olha a partir de cima, abaixa-se. Não vem ao nosso encontro em nossas perfeições, mas em nossas misérias. 

É o que Jesus nos revelou durante toda sua vida e de maneira especial no gesto do lava-pés. Ele põe o centro de sua ação nos seres mais pobres e mais fracos, aqueles que não contam para nada, os descartados, os que sofrem e os pecadores. O ser humano, cada um de nós pessoalmente, é tão importante aos olhos de Deus que Ele o coloca no centro de suas preocupações. 

O Espírito Santo, figura que desce do alto e se aproxima do ferido, tanto pode ser a figura de uma pomba, de chamas ou de mãos que trazem vida. O bico da pomba, como o Pai e o Filho, beija a pessoa e lhe transmite o Sopro de vida. Deus quer ter o ser humano, um ser vivente, como interlocutor, um ser capaz de responder seu chamado à vida. Deseja um ser vivente, capaz de amar e de assemelhar-se a Ele. 

A Pomba de fogo, voa sobre o ser humano caído e o aquece. A relação entre a Pomba de fogo e o ser humano do centro recorda Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos, antes marcados pelo medo, se transformam em testemunhas audazes de Jesus e do amor de Deus. 

Pai, Filho e Espírito se preocupam pela pessoa, criada do barro da terra. A pessoa, no centro, é a figura mais escura de todas.  Cor da terra, de húmus, um ser criado por Deus, e que estaria sem vida, se esta não lhe fosse comunicada pelo Criador. 

Ao experimentar esta acolhida restauradora, o ser humano é chamado a ser também presença da Trindade Amiga para seus irmãos, construindo a comunhão trinitária no mundo em que vive. Só corações solidários adoram um Deus Trinitário 

Texto bíblico:  Mt 28,16-20 

Coloque-se no lugar do ser humano, no centro da escultura, e faça a experiência de ser acolhido e  amado pelas divinas Pessoas trinitárias. 

Coloque no coração da Trindade as pessoas que você sabe que precisam da graça desta experiência.

 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

Diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana -CEI

 Fonte: https://www.catequesehoje.org.br/outro-olhar/12-raizes-espiritualidade/898-a-trindade-misericordiosa