Ordem dos Frades Menores Conventuais - Custódia Provincial Imaculada Conceição - Franciscanos Conventuais do Rio de Janeiro - PAZ & BEM!!!

sábado, 23 de junho de 2018

BIOGRAFIA: Frei Martinho, um autêntico amante da Imaculada e modelo de Frade Menor Conventual

Frei Martinho Maria de Porres Ward, OFM. Conv., nasceu em Charleston, Diocese de Boston, estado de Massachusetts, Estados Unidos da América, em 20 de março de 1918, seu nome civil era Mathias De Witt Ward. Filho de William Henry Ward e Clara Irby, progenitores de uma grande família formada pelos filhos: William, Ernest, Harry, Hazel, Maurice, Beatriz, Earl, Gladep, Viola, Máxime, Gloria e Dolores. Metodista, converteu-se ao catolicismo quando tinha 18 anos de idade. Fez sua Primeira Comunhão aos 19 anos. Até o presente momento, pouco se sabe sobre sua família sanguínea, pelo que parece, seu pai foi o último de seus genitores a falecer de problemas cardíacos. Antes de ingressar na Ordem dos Frades Menores conventuais, participou nas atividades religiosas de várias paróquias até que, em 1942, com 24 anos, tocado pela graça de Deus, decidiu ser sacerdote e, entrou para o seminário dos Frades Menores Conventuais, em New York em Michigan. Ingressou no Noviciado em 1947, emitindo sua Profissão Simples a 19 de março de 1948, em Cohoes; logo após, iniciou seus estudos Filosóficos e teológicos e se destacou no aprendizado das línguas clássicas, o Latim e o Grego e, em 1951, professou seus Votos Solenes na Província: Imaculatae Conceptionis Beatae Mariae Virginis, na Ordem dos Frades Menores Conventuais, em Rensselaer, EUA. Ordenado Sacerdote, em 04 de junho de 1955, Albany, N.Y., foi enviado neste mesmo ano como missionário para o Brasil – Rio de Janeiro e, em 1956 chega em Andrelândia – MG onde passa a lecionar (Latim, Grego e Música) no colégio São Boaventura (colégio só para rapazes), dirigido pelos Frades Menores Conventuais; nesta mesma época, passa também a ajudar as Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora como professor em seu Colégio Normal (só para Garotas). 1918 - 1999 

Professor bom e sensível às necessidades acadêmicas de seus alunos 

Frei Martinho em sua trajetória magisterial, rapidamente se destacou dos seus contemporâneos, frades americanos, justamente pelo seu temperamento solar, alegre e socialmente próximo, era um professor apaixonado; durante as aulas buscava ensinar usando muitas imagens e comparações, revolucionando o modo de ensinar da época, envolvendo os alunos no conteúdo didático com muitas brincadeiras, piadas, trocadilhos e jogos de palavras.  Às vezes falava de si mesmo, de suas gafes cometidas também no aprendizado da Língua Portuguesa, de suas descobertas, gostos e preferências.  Por ocasião de datas importantes e festivas (aniversário, onomástico ou alguma solenidade religiosa), quase sempre envolvia seus alunos oferecendo, ele mesmo, algo para motivar e alegrar a rotina dos estudantes; um chiclete, um chocolate, um terço ou mesmo um simples cartão reciclado vindo dos EUA, o que para a época era uma bela novidade. Todo este espírito lúdico, didático e próximo, não o eximia de ser exigente e duro, cobrando resultados concretos de seus alunos, sobretudo durante os bem elaborados exames. Mesmo sendo sério e severo quando necessário, não perdia nunca seu senso de humor, repetindo frequentemente a seus alunos:  “- Vocês são bonzinhos e santos!” e acrescentava com uma bela risada: “- Quando dormem!!!” E saia rindo prazerosamente pelos corredores das escolas. Por vir para o Brasil já Sacerdote e ser integrado diretamente no Apostolado do Magistério, sobretudo no inicio, teve muitas dificuldades em nível de comunicação. Um fato curioso narrado por ele foi que; um dia estando no Convento São Francisco do Rio Comprido; teve que atender a um bem feitor, o qual queria fazer uma doação aos frades; pelo fato de estar sozinho e de não entender bem o Português, não pode interagir com o visitante, fazendo-o retornar no dia seguinte para falar diretamente com o Guardião.  

Quando o seu Superior teve ciência do fato, irritado, proibiu Frei Martinho terminantente de se expressar em inglês, fazendo-o se esforçar ainda mais para aprender o idioma português.  Embora tivesse esta dificuldade inicial, sua descontração e simpatia no trato com as pessoas o ajudou a superar rapidamente as dificuldades que a Língua Portuguesa lhe empunha, estabelecendo a principio, um tipo de comunicação todo especial, afetiva e efetiva, um tipo de “metalinguagem”, sobretudo com seus alunos e com as pessoas mais simples.  Estava sempre disposto a tirar uma lição ou aprender algo novo mesmo através de um erro, era encantado pela cultura interiorana (mineira e goiana), de modo particular, se referia aos outros chamando-os de: “compadres e comadres”, “amigo e amiga”, “amigão”, termos muito afetivos, que expressava grande proximidade social. 

Sacerdote piedoso e devotado missionário:  

Como sacerdote exerceu o cargo de Capelão das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora, tanto na Casa de Misericórdia como no Colégio Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, assistindo espiritualmente os enfermos, os alunos e às irmãs. Como Capelão das Irmãs da Santa Casa de Misericórdia, segundo o testemunho de alguns paroquianos, ele mesmo batia os sinos da Capela bem cedo por volta das 5hs da manhã. Frei Martinho era frade muito alegre, caridoso e humilde; embora tivesse uma vida tipicamente conventual, ele vivia à disposição do povo andrelandense, principalmente dos pobres. Com frequência e, com a maior boa vontade, ele era solicito em celebrar as exéquias, casamentos e em ouvir os penitentes em suas confissões. Era também muito caridoso e com os poucos recursos que recebia de seus amigos e bem feitores, ajudava inúmeras pessoas, principalmente provendo alimento para algumas famílias pobres que viviam na periferia da cidade. Quando saia de seu Convento por alguma necessidade ou celebração nas inúmeras capelas, sempre levava consigo nos bolsos do hábito franciscano algo para oferecer as pessoas que lhe interpelava, sempre alegrava as pessoas com uma pequena lembrança, uma medalha, um crucifixo, uma bala, ou simplesmente um cartão reciclado, vindo dos EstadosUnidos. 

E de modo especial oferecia bênçãos, orações e recordava as inúmeras intenções do povo, principalmente os doentes, nas Santas Missas que celebrava. Em 1967, foi designado como Vigário Paroquial da Paróquia São Sebastião, junto ao Convento de mesmo nome, em Araruama, onde permaneceu por cinco anos. O primeiro Custodio, Frei Otto John Fouser, em 1972 o envia como membro de família para o Convento São Sebastião de Goiatuba - GO, onde passou a exerce a função de Professor de Inglês e Vigário Paroquial, função que exercerá por 12 anos. Em sua vida pastoral, Frei Martinho nunca fez questão de Assumir cargos de honra e autoridade, sempre preferiu estar sob a autoridade de Guardiães e Párocos, exercendo com modéstia a função de Capelão, Professor e Diretor Espiritual nas Casas de Formação e Hospitais. Seu testemunho de fé foi evidente na vivencia das virtudes de simplicidade, alegria, acolhimento aos mais pobres e humildes e, sobretudo, na fidelidade à Vida Religiosa Franciscana e Sacerdotal. Sua dimensão Eucarística era latente, devido a sua voz bem impostada e seu preparo musical. Frei Martinho sempre era requisitado durante o Tríduo Pascal para entoar o “Precônio Pascal do Sábado Santo”, elevando os espíritos à suavidade celeste da Sagrada Liturgia, fazendo da fé na Ressurreição o seu peregrinar na vida. Em 1971, inaugura-se a Casa de Formação de Andrelândia, que o povo e, por quê não dizer, também os frades aprenderam a chamar de “Seminário”, conforme o costume da época; esta nova localidade terá um papel muito importante na vida e ministério sacerdotal de Frei Martinho anos mais tarde. No dia 26 de maio de 1977, ainda vivendo em Goiatuba, Frei Martinho faz seu pedido ao Definitório Custodial de então, para afiliar-se “ad perpetuum” na mesma Custódia Imaculada Conceição, a qual ajudara a erigir com sua presença significativa desde sua chegada ao Brasil.  Era uma alma bondosa e humilde, um fato curioso narrado por Dom Frei Elias a respeito de Frei Martinho, e que exemplifica a sua característica humildade, ocorreu provavelmente entre os anos de 1970 a 1982, tempo em que Frei Elias James Manning viveu no Rio de Janeiro, exercendo respectivamente as funções de Vigário Paroquial, Pároco e Custódio Provincial. Segundo o mesmo: Em uma certa ocasião, durante uma visita de Frei Martinho ao Convento São Francisco de Assis – Rio de Janeiro, estava Frei Elias concentrado preparando uma reflexão, um texto homilético ou uma catequese, quando Frei Martinho resolveu fazer uma de suas costumeiras caminhadas ao longo do corredor do convento. Como Frei Matinho caminhava arrastando as sandálias devido a sua idade, este seu gesto começou a causar uma forte irritação em Frei Elias, tirando-lhe a concentração em sua reflexão; num dado momento, não se contendo mais, Frei Elias sai de seu quarto esbravejando com Frei Martinho devido ao barulho molesto.  Para a surpresa e admiração de Frei Elias, Frei Martinho ao ser repreendido pelo rumor involuntário; não argumenta, pede perdão e humildemente, em silencio, retira-se, recolhendo-se em seu quarto.  

O Retorno ao Seminário de Andrelândia como Diretor Espiritual. 

Em 1985, o então Custódio Provincial, Frei André M. Lambert, transfere Frei Martinho de Goiatuba, para o Seminário de Andrelândia, onde exercerá o encargo de Diretor Espiritual e Professor de língua Inglesa e Latina.  Como Diretor Espiritual, sobressaiu-se de modo especial pelo serviço prestado à Formação Inicial; tendo a maioria de nossos frades brasileiros atuais, passado pela sua orientação. Seu exemplo discreto sempre se sobressaiu pelo zelo com o qual buscava acolher e orientar a cada um dos formandos. Homem piedoso, celebrava diariamente a Santa Eucaristia; rezava igualmente o Rosário completo, sendo um Terço pela manhã bem cedo, quando se levantava por volta das 05h; outro igualmente a tarde, às 15h, e o último após o jantar, quando costumava caminhar pelos corredores do Seminário. Frei Martinho possuía o espírito lúdico de “criança”, o quê o fazia se alegrar e se divertir com coisas muito simples: uma anedota, geralmente contada no final das celebrações.  Possuía um amigo em especial, José Gorgulho Pereira (popularmente conhecido como Zizo), este se incumbia de coletar as anedotas e pequenas historietas nas revistas católicas de então e passar-lhes ao Frei Martinho que criativamente lhes adaptava segundo as ocasiões e lugares, fazendo referencia geralmente aos paroquianos.  Também, gostava de assustar as pessoas, “latindo imitando cachorro” assustando as piedosas senhoras quando caminhavam desatentamente pelas ruas da cidade. Este seu espírito lúdico o fazia se identificar muito com os jovens seminaristas e com os leigos, sobretudo, as pessoas simples da cidade que o tinham como a um “Compadre”, como ele mesmo gostava de se autorreferir. Sempre disponível, nunca recusava ouvir um penitente que lhe chegasse à procura da Reconciliação. Sempre arranjava um tempinho antes ou após as celebrações das Santas Missas, nas Igrejas (Matriz, Rosário, São Benedito ou nas Capelas do hospital e Colégio Sacramentino). Sempre tinha uma palavra amiga, uma benção ou mesmo um sorriso discreto para apaziguar os corações atribulados. Eu, Frei Ronaldo Gomes da Silva, dentre tantos fatos curiosos, recordo-me que em uma ocasião quando estava responsável por fazer o café da manhã para a comunidade do Seminário, durante esta semana, deveria levantar-me cedo, por volta das 05h:30min, para organizar tudo na cozinha e refeitório. A esta hora, Frei Martinho já se encontrava em sua costumeira caminhada rezando o Terço do lado de fora da cozinha do Seminário, antes da Oração das Laudes. Eu despercebidamente preparava o café do lado de dentro, sem me atentar para o que estava para acontecer. Quando lanço um olhar mais atento para o lado de fora da janela, deparo-me com uma figura no mínimo medonha, Frei Martinho havia colocado o capús de seu hábito sobre a cabeça e fazia uma carreta espantosa; tomado pelo susto, solto um grito e deixo cair algumas louças que estava lavando. Frei Martinho, inicialmente, solta uma grande gargalhada e entra na cozinha para ver o estrago feito.  Após o susto, fui tomado de grande irritação devido o ocorrido, Frei Martinho notando o meu descontentamento, vem e pede-me desculpas pelo susto que me havia dado; porém, não conseguia conter seu riso. Eu, perante a simplicidade e alegria contagiante de Frei Martinho, também coloquei-me a rir e continuei o meu serviço. Mais tarde, fico sabendo que Frei Martinho havia reportado todo o ocorrido ao Reitor de então, Frei Camilo Lellis de Aguiar, e igualmente assumido a responsabilidade pelos objetos quebrados, o que lhe custou uma séria reprimenda por parte do mesmo Formador. Este e outros fatos mostram-nos como o espírito maroto, porém responsável e justo de Frei Martinho, tornava a disciplina e a dura rotina da Casa de Formação mais agradável e mais leve; após esta experiência, sempre que tivesse de caminhar fora de hora e sozinho pelos corredores do Seminário, colocava-me em estado de alerta, pois de qualquer ângulo poderia surgir Frei Martinho tentando pregar-me uma peça. 

Embora tenha tido este lado lúdico, Frei Martinho sabia exigir de nós formandos seriedade e afinco nas tarefas do dia à dia. Durante as confissões que frequentemente realizávamos e que pacientemente nos ouvia, sempre nos convidava a ver a vida e a nossa própria Formação com um olhar mais profundo, nos contava suas experiências e dificuldades e, sempre nos encorajava a sermos fiéis na busca da realização de nossa própria vocação, dizia:    - Busquem viver e fazer as coisas com consciência e amor a Deus e ao Próximo, saibam que Deus os chama a darem o melhor de vocês. Vocês ainda estão discernindo suas vocações, mas Deus pede a vocês que vivam um dia de cada vez, sem ansiedade para com o futuro. “Tudo acontecerá no Tempo de Deus”. Por isso, preparem-se o melhor possível sendo transparentes e fiéis à vocação franciscana. E no final, concluía com a seguinte admoestação: “- O estudo e o Amor a Deus será  o tesouro que vocês poderão levar para toda à vida e o qual ninguém poderá tirar de vocês”. Com simplicidade, mas com muito realismo Frei Martinho buscava nos inspirar em nosso início vocacional.  Seus ensinamentos eram acolhidos e partilhados não somente por nós, mas também pelo povo Andrelandense, o qual em grande número o buscava para o Aconselhamento Espiritual e, para a Confissão. Mas, sua Espiritualidade transparecia de forma mais evidente quando o mesmo celebrava a Santa Eucaristia, da qual geralmente cantava com voz melodiosa as partes fixas.  Segundo os testemunhos de quem o acompanhou e participou de suas inúmeras celebrações Eucarísticas; no solene momento após a Consagração, visualizando, o Pão e o Vinho transubstanciados no Corpo e no Sangue de Cristo, Frei Martinho exclamava com natural adoração a seguinte jaculatória franciscana: “Meu Deus e meu tudo!”. A este amor ao Cristo Eucarístico, acrescentamos sua devoção à Virgem Santíssima, além da oração diária do Santo Rosário, entoava e ensinava prazerosamente aos seminaristas as antífonas Marianas. Mesmo pelos corredores do Seminário, não passava diante de uma imagem sacra da Beatíssima Virgem sem se persignar reverentemente. Isto aos nossos olhos de neófitos postulantes, por vezes parecia um excesso escrúpulos; o que com o tempo aprendemos a valorizar como um gesto de amor e veneração. 

Grande promotor e animador das vocações 

Frei Martinho inúmeras vezes auxiliava a Animação Vocacional durante os Encontros Vocacionais, nestas ocasiões atraia e elevava a atenção de todos contando sua história vocacional. Segundo alguns testemunhos de quem o escutou; Frei Martinho durante seu percurso vocacional teve que superar inúmeras dificuldades e provações; primeiramente o preconceito por ser de origem afro-americana, a pobreza de sua família, que não podia custear-lhe os estudos seminarísticos, e sobretudo uma doença pulmonar infecciosa, a pneumonia, a qual quase o fez desistir de sua vocação. Segundo o mesmo, todas estas dificuldades foram vencidas pela fé na Providencia Divina e a sublime devoção à Virgem Imaculada, a quem consagrara sua vocação e a quem fervoroso recorria nas horas de angustias. Além da alegria de sua Ordenação Sacerdotal, ele narrava o fato de haver podido preparar e batizar seu própria Pai, William Henry Ward, em seu leito de morte.   Embora não nos tenha deixado grandes escritos e obras espirituais, em suas correspondências tanto dirigidas aos amigos e familiares como aos seus superiores, sempre iniciava traçando sobre a mesma o sinal da Cruz, no alto da página, recordando o gesto autográfico de São Francisco de Assis, que a seus escritos assinava com o Tau. E a todos seja inicialmente, ou a título de conclusão, saudava franciscanamente com “Paz e bem”; estes são gestos simples que revelam o quanto nosso querido “Compadre” havia absorvido da Espiritualidade Seráfica. Dele podemos dizer que foi um autentico franciscano, espalhando durante toda sua vida somente: “Paz e Bem”; e sempre entoando: “Laus Deo Semper”! Em 28 de março 1995, através da Lei Municipal nº 956/95, Frei Martinho é agraciado com o título de Cidadão Andrelandense, para a alegria de todos que aprenderam a admirar sua figura simples, alegre, bondosa e sempre disponível a servir o Povo de Deus. Dos seus 81 anos de vida e 51 anos de profissão religiosa, grande parte foi vivida em Andrelândia.  Durante o seu tempo no Seminário de Andrelândia, sempre levou uma vida de oração, pobreza, simplicidade e humildade. No sentido material, sempre discreto, ele vivia com o necessário, sem procurar acumular bens supérfluos, cultivando sempre a generosidade para com os pobres, com os quais frequentemente partilhava o pouco que tinha.  

Fiel até o fim no serviço ao Altar do Senhor 

Já no final de sua vida, mesmo acometido por doenças cardiovasculares, nunca o víamos reclamar de sua condição física e muito raramente deixava de cumprir suas obrigações e compromissos assumidos tanto na Casa de Formação, quanto na Paróquia Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação.  No dia 20 de junho de 1999, segundo alguns relatos, mesmo não se sentindo muito bem, não se exime de celebrar a Santa Missa dominical, na Igreja do Rosário, em Andrelândia.  Durante a dita celebração, Frei Martinho sente uma forte dor no peito, mesmo sentindo as dores características de um ataque cardíaco, após parar um instante para tomar um pouco de água, conclui piedosamente a celebração da Santa Missa. Imediatamente após a celebração é levado as pressas para a Santa Casa de Misericórdia, onde recebe os primeiros socorros, mas dado a gravidade de seu estado e o pouco recurso do local, os seus Superiores decidem, mesmo contra a sua vontade, a sua transferencia para um Hospital na Capital do Rio de Janeiro.  Por ocasião da internação de Frei Martinho, uma comoção geral tomou conta de toda a cidade de Andrelândia, grandes multidões de pessoas de todas as classes e etos sociais e religiosos tomaram a avenida próxima da Santa Casa de Misericórdia, rezando e buscando acompanhar o estado de saúde do mesmo.  No dia 21 de junho, após todos os tramites burocráticos necessários para o transferimento, Frei Martinho foi levado pelo seu Custodio Provincial de então, Frei Valdomiro Soares Machado; acompanhado do Secretário Custodial, Frei Ariel Ribeiro da Costa, em uma ambulância especialmente preparada, para o Hospital da Venerável Ordem 3ª de São Francisco da Penitencia, no auto da Tijuca, sendo imediatamente acolhido no CTI.  Frei Martinho, mesmo contra a sua vontade, pois já pressentia o fim de sua peregrinação terrestre, obedientemente, curvou-se pela última vez à vontade de seu Superior, submetendo-se mesmo em um grave processo de infarto cardíaco a uma viagem de quatro horas e meia, até o Rio de janeiro. No dia seguinte, 22 de junho às 18hs e 30min, Frei Martinho não resistindo mais a sua enfermidade, é acolhido pela Irmã Morte; não, porém, sem antes haver recebido piedosamente os Sacramentos da Unção dos Infermos e a Santa Eucaristia; preparando-se devidamente para o grande encontro com o “seu Deus e seu tudo” .

Por ocasião de sua morte, mais uma vez, a cidade de Andrelândia demonstrou-lhe toda a sua veneração, afeto e gratidão, tributando-lhe justíssimas homenagens e rendendo louvores a Deus por sua bondade e santidade. Morreu no dia 22 de junho de 1999, no Rio de Janeiro onde tinha ido, um dia antes para se tratar, já em um gravíssimo processo de infarto. Frei Martinho, nosso “Compadre”, está enterrado no lugar que em vida já tinha escolhido e preparado no pequeno cemitério do Seminário São Francisco de Assis, em Andrelândia – MG, onde é sempre lembrado pelo amor a Deus e a comunidade, pelo carinho que sempre demonstrou pelo povo andrelandense, principalmente pelos mais necessitados. [1] Frei Valdomiro Soares Machado, o Custodia provincial de então, o qual acompanhou Frei Martinho nos seus últimos momentos, entre outras coisas, escreveu no Informativo Custodial dirigido aos frades por ocasião de sua Morte: Frei Martinho, homem bom, homem de Deus, homem do povo, homem franciscano, homem conventual, por isso, o sentimento que ouvi de tantos confrades nestes últimos dias: - Andrelândia não será mais a mesma, ir à casa de formação não será mais a mesma coisa, pois estará vazia a cadeira de balanço diante da televisão. Estará faltando as brincadeiras, as piadas, os sustos e as gostosas gargalhadas, estará faltando o professor, o confessor, o conciliador... Mas com certeza, não nos faltará um intercessor no céu. 
 Frei Valdomiro, soube expressar bem o sentimento geral de todos os frades e também de todo o povo que havia conhecido e acompanhado Frei Martinho em seus últimos momento: «o sentimento que nos levou ao seminário de Andrelândia neste dia, para manifestar nosso carinho e orar por ele, é a certeza de que o amor que nos uniu nesta vida continua nos unindo com Deus. Ele é “Deus dos Vivos e não dos mortos”! (MC 12,27)». 
                                                          
 1 Testemunho de Maria Adélia de Andrade sobre Frei Martinho, Andrelândia - 2003. 


terça-feira, 19 de junho de 2018

Encontro Vocacional de Julho 2018

Venha participar do Encontro Vocacional em Petrópolis/RJ e descobrir o chamado de Deus para sua vida, informações abaixo:

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Papa: as ditaduras começam com a comunicação caluniosa

Na missa na Casa Santa Marta, o Papa recorda a sedução do escândalo e o poder destrutivo da comunicação caluniosa. Basta pensar na perseguição dos judeus no século passado. Um horror que acontece também hoje.

Por: Debora Donnini - Cidade do Vaticano

Para destruir instituições ou pessoas, se começa a falar mal. A esta “comunicação caluniosa”, o Papa Francisco dedicou a homilia na missa na Casa Santa Marta.

A sua reflexão parte da história de Nabot narrada na Primeira Leitura, no Livro dos Reis. O rei Acab deseja a vinha de Nabot e lhe oferece dinheiro. Aquele terreno, porém, faz parte da herança dos seus pais e, portanto, rejeita a proposta. Então Acab fica aborrecido “como fazem as crianças quando não obtêm o que querem: chora.

A sua esposa cruel, Jezabel, aconselha o rei a acusar Nabot de falsidade, a matá-lo e assim tomar posse de sua vinha. Nabot – notou o Papa – é portanto um “mártir da fidelidade à herança” que tinha recebido de seus pais: uma herança que ia além da vinha, “uma herança do coração”.
Os mártires condenados com as calúnias

Para Francisco, a história de Nabot é paradigmática da história de Jesus, de Santo Estevão e de todos os mártires que foram condenados usando um cenário de calúnias. Mas é também paradigmática do modo de proceder de tantas pessoas de “tantos chefes de Estado ou de governo”. Começa com uma mentira e, “depois de destruir seja uma pessoa, seja uma situação com aquela calúnia”, se julga e se condena.
Como as ditaduras adulteram a comunicação

“Também hoje, em muitos países, se usa este método: destruir a livre comunicação”.

Por exemplo, pensemos: há uma lei da mídia, da comunicação, se cancela aquela lei; se concede todo o aparato da comunicação a uma empresa, a uma sociedade que faz calúnia, diz falsidades, enfraquece a vida democrática. Depois vêm os juízes a julgar essas instituições enfraquecidas, essas pessoas destruídas, condenam e assim vai avante uma ditadura. As ditaduras, todas, começaram assim, adulterando a comunicação, para colocar a comunicação nas mãos de uma pessoa sem escrúpulo, de um governo sem escrúpulo.
A sedução dos escândalos

“Também na vida cotidiana é assim”, destacou o Papa: se quero destruir uma pessoa, “começo com a comunicação: falar mal, caluniar, dizer escândalos”:


E comunicar escândalos é um fato que tem uma enorme sedução, uma grande sedução. Seduz-se com os escândalos. As boas notícias não são sedutoras: “Sim, mas que belo o que fez!” E passa… Mas um escândalo: “Mas você viu! Viu isso! Você viu o que aquele lá fez? Esta situação… Mas não pode, não se pode ir avante assim!” E assim a comunicação cresce, e aquela pessoa, aquela instituição, aquele país acaba na ruína. No final, não se julgam as pessoas. Julgam-se as ruínas das pessoas ou das instituições, porque não se podem defender.
A perseguição dos judeus

“A sedução do escândalo na comunicação leva justamente ao ângulo, isto é “destrói” assim como aconteceu a Nabot, que queria somente “ser fiel à herança dos seus antepassados” e não vendê-la. Neste sentido, também é exemplar a história de Santo Estevão, que faz um longo discurso para se defender, mas aqueles que o acusavam preferem lapidá-lo ao invés de ouvir a verdade. “Este é o drama da avidez humana”, afirma o Papa. Tantas pessoas são, de fato, destruídas por uma comunicação malvada:

Muitas pessoas, muitos países destruídos por ditaduras malvadas e caluniosas. Pensemos por exemplo nas ditaduras do século passado. Pensemos na perseguição aos judeus, por exemplo. Uma comunicação caluniosa, contra os judeus; e acabavam em Auschwitz porque não mereciam viver. Oh… é um horror, mas um horror que acontece hoje: nas pequenas sociedades, nas pessoas e em muitos países. O primeiro passo é se apropriar da comunicação, e depois da destruição, o juízo e a morte.
Reler a história de Nabot

O Apóstolo Tiago fala precisamente da "capacidade destrutiva da comunicação malvada". Em conclusão, o Papa exorta a reler a história de Nabot no capítulo 21 do Primeiro Livro dos Reis e a pensar em "tantas pessoas destruídas, em tantos países destruídos, em tantas ditaduras com 'luvas brancas'" que destruíram países.
Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta/2018-06/papa-francisco-missa-santa-marta-calunia-comunicacao-ditadura.html

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